Segunda-feira, 03 de agosto de 2026

Segunda-feira, 03 de agosto de 2026

“Queríamos fazer algo diferente da manada”: Paralamas celebram 40 anos de “Selvagem?” no Doce Maravilha

Os Paralamas do Sucesso celebram quatro décadas de “Selvagem?” no festival Doce Maravilha 2026, no domingo (9), no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro. Em apresentação especial, a banda tocará na íntegra o álbum lançado em 1986, que marcou uma mudança na sonoridade do trio ao aproximar rock, reggae e elementos da música brasileira. Em entrevista, o baterista João Barone relembrou a ousadia do grupo ao desafiar as expectativas das gravadoras durante o auge do rock nacional. Segundo ele, a banda decidiu abandonar fórmulas comerciais para apostar em uma produção mais densa e engajada. “A gente estava ali com os nossos vinte e poucos anos querendo fazer alguma coisa realmente diferente da manada”, afirmou. A aposta deu resultado e superou as expectativas comerciais da época.

Entre as músicas mais representativas do disco, Barone destaca “Alagados”, faixa que sintetiza a mistura de rock e referências brasileiras presente no trabalho. Segundo o músico, Herbert Vianna se inspirou em nomes como Gonzaguinha, Aldir Blanc e João Bosco para construir uma espécie de samba-enredo, posteriormente reinterpretado pela banda com guitarras e bateria. O período de gravação também coincidiu com outro momento importante do rock brasileiro: após os Paralamas deixarem o estúdio Nas Nuvens, no Rio, os Titãs chegaram ao local para registrar “Cabeça Dinossauro”. Décadas depois, a banda continua encontrando nos festivais uma forma de se conectar com novas gerações. Barone afirma que hoje é comum ver avós levando os netos aos shows, mostrando como as músicas atravessaram diferentes gerações.

Após uma turnê comemorativa que terminou com uma apresentação para 50 mil pessoas no Allianz Parque, os Paralamas já planejam retornar ao estúdio para trabalhar em novas composições. O último álbum autoral de inéditas foi “Sinais do Sim”, lançado em 2017, e a banda pretende retomar o processo criativo de maneira natural, sem pressionar a produção. Para Barone, a longevidade do grupo também está relacionada à paixão pelos palcos e à ausência de vaidade. Inspirados por nomes como Rolling Stones, Paul McCartney e Bruce Springsteen, os músicos seguem encarando a carreira como uma oportunidade de continuar fazendo aquilo que amam. “O que a gente gosta mesmo é de encarar a plateia e fazer música de verdade”, resumiu o baterista.

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